O conhecimento que alguns membros da classe médica adquiriram sobre AA e como o aplicam
Muitos médicos encontraram em AA um apoio valioso para as suas terapias de tratamento do alcoolismo. A seguir apresentamos excertos de depoimentos de destacados membros da Comunidade Médica Nacional.
O Doutor Aires Gameiro, Irmăo da Ordem Hospitaleira de S. Joăo de Deus, Psicólogo, Sacerdote doutorado em Pastoral da Saúde, que trabalha há mais de 30 anos na recuperaçăo de alcoólicos diz o seguinte, no seu texto intitulado "O que aprendi com os A.A.":
"O contacto com reuniőes abertas dos AA, em Dublin, nos anos sessenta, numa unidade de recuperaçăo de alcoólicos, convenceu-me que era método inovador. No início dos anos setenta fui o primeiro técnico, em Portugal, a aceitar que os AA orientassem uma reuniăo semanal no Centro onde eu fazia terapia de grupo de alcoólicos.
(...) Dá-me muita alegria verificar que de uma reuniăo semanal em Portugal, e essa em inglês, nos anos 70, sejam hoje cerca de 100 e năo cessam de se multiplicar e de serem facilitados dezenas de locais para outras reuniőes. Mais significativo é o facto de psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, em vez das hesitaçőes e oposiçőes aos AA, aconselharem agora este método, aceitarem a colaboraçăo dos AA e terem brio de dizer que usam o método Minesotta, que no essencial é a pedagogia terapêutica dos Doze Passos. Os profissionais de saúde e de alcoologia só têm a ganhar com a colaboraçăo e experiência dos AA recuperados. Trata-se de um método que abrange as dimensőes psicológicas (mentais), socioculturais e espirituais da dependência e da recuperaçăo, aumenta a auto-estima, o equilíbrio e o funcionamento social. Numa palavra, abrange quase todas as dimensőes da pessoa."
O Prof. Doutor Domingos Neto, Professor de Psiquiatria e Saúde Mental da Faculdade de Cięncias Médicas de Lisboa, Director do Centro Regional de Alcoologia de Lisboa, Teaching Fellow da Sociedade Internacional de Bonding Psychotherapy em artigo sobre AA refere:
"É dentro dos Grupos de Alcoólicos Anónimos que encontro os casos de recuperaçăo mais bem sucedidos, com maior autocrítica e espiritualidade e, de modo geral, a viver melhor. Tive de recorrer à ajuda deste movimento para melhorar os resultados terapêuticos em pessoas que trato, tendo passado, deste modo, a conseguir melhores recuperaçőes. Estes Grupos têm uma base autocrítica e espiritual e, pela primeira vez, William Griffith Wilson, o fundador dos Alcoólicos Anónimos (AA), definiu alcoolismo como uma doença que afecta também a base espiritual das pessoas. Săo extraordinariamente bem sucedidos em todas as patologias de abuso, onde a psiquiatria tradicional, que tem uma tradiçăo de suporte e de apoio, falha.
(...) Ajudam também a combater o estereótipo do doente alcoólico como aquele que está sempre a beber e se embriaga, uma vez que é possível encontrar alcoólicos, sem beber, com uma vida normal e feliz, com dezenas de anos de recuperaçăo e de sobriedade."
O Doutor Joaquim Margalho Carrilho, Médico Psiquiatra, Director da UTITA Unidade de Tratamento Intensivo das Toxicodependęncias e Alcoolismo que assiste os três ramos das Forças Armadas e Presidente da Associaçăo Portuguesa de Medicina da Adicçăo, num depoimento sobre AA diz nomeadamente:
"A possibilidade de contactar com dezenas de pessoas em recuperaçăo de alcoolismo, vivendo um estilo de vida saudável, sustentado na filosofia dos 12 Passos dos Alcoólicos Anónimos permitiu-me, no meu pragmatismo positivista médico, levar ao aprofundar do estudo daquele que năo sendo, nem pretendendo ser uma modalidade de tratamento é, na minha perspectiva, ainda hoje, a melhor forma de prevençăo da recaída, isto é, os Alcoólicos Anónimos.
(...) Aos mais académicos e estudiosos desafiaria a se debruçarem sobre a história iniciada em 1936 pelos fundadores de Alcoólicos Anónimos e de como há mais de 60 anos esta irmandade se antecipou por meios empíricos ao conhecimento científico actual, nos factos de a essência da dependência estar na perda de controlo sobre a substância álcool com destruiçăo progressiva biopsicosocial e dos códigos éticomorais, assim como da forma mais profunda da espiritualidade humana que é a relaçăo entre a existência e o transcendente de cada indivíduo."
O Prof. Doutor Joăo Sennfelt, Médico Psiquiatra, Chefe de Serviços do Hospital Miguel Bombarda e Professor Auxiliar da Escola Nacional de Saúde Pública, exprime desta forma a sua opiniăo acerca de AA:
"Uma das doenças cujo êxito do tratamento levanta grandes inquietaçőes é, sem dúvida, o alcoolismo, situaçăo de resto com uma grande prevalência na populaçăo portuguesa.
Há mais de oito anos que os médicos do Serviço de Psiquiatria que dirijo solicitam o apoio consistente que os Alcoólicos Anónimos podem prestar a muitas dessas pessoas em grande sofrimento orgânico, psicológico e social.
De facto, prestando-se a funcionar com a discriçăo que lhes é reconhecida, com a lealdade e a sinceridade que também săo seu timbre, oferecem aos outros um modelo de identificaçăo credível de seres humanos que embora sofrendo do mesmo mal conseguiram atingir a sobriedade e restaurar em si próprios a saúde, a auto-estima e a confiança do mundo que os cerca.
Temos todos, creio eu, ganho muito uns com os outros, sobretudo nós, os médicos, que, respeitando as necessárias idiossincrasias do seu funcionamento, reconhecemos os A.A.s como parceiros muito importantes num trabalho que é comum - o de ajudar os doentes alcoólicos a reencontrar a saúde."
Copyright © 1982, AAWS - AA as a Resource for the Medical Profession. Traduzido e adaptado com autorizaçăo. Todos os direitos reservados. Literatura aprovada em Conferência de Serviços Gerais 2001, Portugal.
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