Revista N.º 41

Nota de abertura
Năo sabemos quantos somos; năo nos conhecemos todos uns aos outros; uns săo ainda novos, outros já mais velhos. Homens e mulheres. De todas as profissőes, raças e credos. Como tal, existem diferenças entre nós e muitas vezes essas diferenças săo grandes. Vivemos todos, sem excepçăo, uma experincia mais ou menos longa, mais ou menos sofrida, mas muito, muito igual.
Quando, numa reuniăo, falamos da nossa experiência pessoal, vemos abrir-se uma avenida na qual caminhamos todos. É a avenida da identificaçăo.
Quando, numa reuniăo, ao falarmos da nossa experiência pessoal, notamos nas cabeças de outros companheiros acenos afirmativos, ou esboços de sorrisos, isso é uma manifestaçăo de identificaçăo.
Esta identificaçăo é o que me faz entender-te e te faz entender-me de uma forma especial. É através da identificaçăo que eu me reconheço em ti. É o que me diz que tu e eu somos iguais. É algo que me tirou do isolamento profundo em que vivi a pensar que năo existia ninguém como eu. Foi como um nascer do sol numa vida de escuridăo.
A identificaçăo é algo que dissipa quaisquer diferenças entre nós. É algo que nos une. É algo suficientemente forte para relegar para segundo plano pormenores pessoais, profissionais ou ideológicos que năo săo comuns a todos, e faz realçar aquilo que sem excepçăo todos sentimos - o nosso alcoolismo.
E porque a forma de o sentir é tăo real, e porque esta soluçăo que encontramos em Alcoólicos Anónimos é tăo eficaz, e porque o bem-estar que vamos obtendo é tăo saboroso, que o tentamos passar a outros alcoólicos. Tăo iguais a nós. Com quem nos identificamos mais uma vez.
O EDITOR |