Revista N.º 43

Nota de abertura
Quando me encontrei perante a circunstância de escrever esta nota introdutória logo muitas e boas memórias me assaltaram. Recordo bem todas as fases de evoluçăo desta revista e, sem qualquer dúvida, da alegria e prazer com que as fui acompanhando e até, pela confiança que Alcoólicos Anónimos me tem dado e pela qual estou, agora e sempre, profundamente grata, participando e colaborando.
Recordando a história, começamos pelo sentimento crescente de, tal como em muitos outros AA, ter um documento, um registo, que unisse os membros reforçando năo só a entidade espiritual que é o Grupo, mas também a ligaçăo espiritual entre os Grupos e entre os membros, lembrando com particular carinho e preocupaçăo todos aqueles que, tendo parado ou desejando parar de beber procuram ajuda neste modo de vida, năo tendo perto de si Grupos onde possam crescer na sua recuperaçăo. Por outro lado, a noçăo fundamental da divulgaçăo da mensagem de Alcoólicos Anónimos para o exterior, para que possa ser cumprido o propósito primordial, chegar ao alcoólico que ainda sofre.
Com os objectivos traçados, e tornados claros para toda a comunidade, precisávamos de pensar em como pô-los em prática - com que nome, com que conteúdos, com que imagem.
O nome, pareceu-me na altura, e continuo a senti-lo, é a base de toda a filosofia e princípios de vida de AA, "PARTILHAR". Quanto ao resto, tenho-me sentido entusiasmada, e por vezes fascinada, com toda a evoluçăo que a revista tem vindo a ter, e que reflecte o crescimento da comunidade. Os conteúdos, que inicialmente eram retirados da "The Grapevine", estăo agora completos e repletos das experiências de vida e sentimentos dos membros de AA do nosso país, aqueles que conhecemos e que mais amamos e sentimos próximos de nós. A imagem foi enriquecendo no cuidado, na harmonia, e, fundamentalmente, na beleza que os membros introduziram ao enviar fotografias, também assim partilhando momentos e sítios que viveram.
O que sobressai da história desta revista é, primeiro que tudo, o amor com que as coisas se fazem em AA, com entrega, dádiva e compromisso. Em segundo lugar e, a meu ver por consequência directa do que acabei de referir, o crescimento, a forma como tudo floresce permitindo-nos ver, perceber, sentir, a manifestaçăo constante de um Poder Superior que se materializa também nesta revista que, cada um na sua casa, nos pőe em comunhăo de alma, a "PARTILHAR".
Ficarei à espera deste número da revista que, tal como com todas as outras, logo lerei num momento muito meu, e depois deixarei numa sala de espera de uma instituiçăo, acreditando no fundo do meu coraçăo que a mensagem de AA chegará a alguém onde precisa de ser plantada uma semente, a semente que, talvez um dia, consiga mudar a sua vida.
Sónia Oliveira - Custódio Classe A (năo alcoólica), do Conselho de Serviços Gerais de AA - Portugal
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