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Revista N.º 43
( 16 Artigos )
Revista N.º 43

Nota de abertura
Quando me encontrei perante a circunstância de escrever esta nota introdutória logo muitas e boas memórias me assaltaram. Recordo bem todas as fases de evoluçăo desta revista e, sem qualquer dúvida, da alegria e prazer com que as fui acompanhando e até, pela confiança que Alcoólicos Anónimos me tem dado e pela qual estou, agora e sempre, profundamente grata, participando e colaborando.
Recordando a história, começamos pelo sentimento crescente de, tal como em muitos outros AA, ter um documento, um registo, que unisse os membros reforçando năo só a entidade espiritual que é o Grupo, mas também a ligaçăo espiritual entre os Grupos e entre os membros, lembrando com particular carinho e preocupaçăo todos aqueles que, tendo parado ou desejando parar de beber procuram ajuda neste modo de vida, năo tendo perto de si Grupos onde possam crescer na sua recuperaçăo. Por outro lado, a noçăo fundamental da divulgaçăo da mensagem de Alcoólicos Anónimos para o exterior, para que possa ser cumprido o propósito primordial, chegar ao alcoólico que ainda sofre.
Com os objectivos traçados, e tornados claros para toda a comunidade, precisávamos de pensar em como pô-los em prática - com que nome, com que conteúdos, com que imagem.
O nome, pareceu-me na altura, e continuo a senti-lo, é a base de toda a filosofia e princípios de vida de AA, "PARTILHAR". Quanto ao resto, tenho-me sentido entusiasmada, e por vezes fascinada, com toda a evoluçăo que a revista tem vindo a ter, e que reflecte o crescimento da comunidade. Os conteúdos, que inicialmente eram retirados da "The Grapevine", estăo agora completos e repletos das experiências de vida e sentimentos dos membros de AA do nosso país, aqueles que conhecemos e que mais amamos e sentimos próximos de nós. A imagem foi enriquecendo no cuidado, na harmonia, e, fundamentalmente, na beleza que os membros introduziram ao enviar fotografias, também assim partilhando momentos e sítios que viveram.
O que sobressai da história desta revista é, primeiro que tudo, o amor com que as coisas se fazem em AA, com entrega, dádiva e compromisso. Em segundo lugar e, a meu ver por consequência directa do que acabei de referir, o crescimento, a forma como tudo floresce permitindo-nos ver, perceber, sentir, a manifestaçăo constante de um Poder Superior que se materializa também nesta revista que, cada um na sua casa, nos pőe em comunhăo de alma, a "PARTILHAR".
Ficarei à espera deste número da revista que, tal como com todas as outras, logo lerei num momento muito meu, e depois deixarei numa sala de espera de uma instituiçăo, acreditando no fundo do meu coraçăo que a mensagem de AA chegará a alguém onde precisa de ser plantada uma semente, a semente que, talvez um dia, consiga mudar a sua vida.
Sónia Oliveira - Custódio Classe A (năo alcoólica), do Conselho de Serviços Gerais de AA - Portugal
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Revista N.º 44
( 17 Artigos )
Revista N.º 44

Nota de abertura
Até Sempre
Terminado o meu mandato de oito anos ao serviço de Alcoólicos Anónimos como vice-presidente, achei que este seria o melhor meio, năo para me despedir, mas para tentar explicar a todos os membros de AA como me sinto e o que significou para mim este tempo.
Desde o início que senti o peso da responsabilidade do que me era pedido - ser o rosto de Alcoólicos Anónimos. Em cada momento a minha preocupaçăo foi transmitir a mensagem de AA respeitando as Tradiçőes. Năo sei se sempre o consegui, mas a minha consciência diz-me que sempre, sempre, dei o meu melhor, porque esta foi a minha forma de estar ao longo destes oito anos, dar o meu melhor a AA.
Falei-vos no peso da responsabilidade mas năo seria sincera se năo admitisse que este peso se foi suavizando porque vocês estiveram ao meu lado. Havia sempre um encorajamento, uma palavra que me ajudava a fazer o meu trabalho e a ficar tranquila quando o finalizava. Tenho também que falar na honra e no prazer que foi para mim ter sobre os meus ombros este peso, que segurei como uma bandeira, acreditando profunda e convictamente em cada palavra que proferi sobre Alcoólicos Anónimos.
Durante algum tempo disse que tinha curiosidade em saber como seria uma reuniăo fechada, pois acreditava que só aí estava a verdadeira essęncia de AA. Estava enganada. Fui percebendo depois que vocês me davam o melhor de AA - aceitaram-me como cheguei e com o que eu tinha, acreditaram em mim, apoiaram-me em cada minuto, tiveram sempre um sorriso e um abraço caloroso para me dar, partilharam comigo, ouviram-me.
Nestes oito anos passei pelos momentos mais importantes da minha vida - casei e tive os meus filhos. A minha proximidade de AA fez-me ser melhor companheira para o meu marido e melhor măe para os meus filhos porque AA, todos e cada um de vocês, ajudou-me a ser melhor pessoa, com mais capacidade para se amar e amar, para se dar e receber e, fundamentalmente, para olhar a vida exactamente como ela é e vivê-la, aceitando o que năo posso mudar e mudando aquilo que posso, com responsabilidade.
A minha relaçăo com AA começou há onze anos, primeiro com curiosidade, depois com fascínio, depois com admiraçăo, depois com proximidade, depois com envolvimento e chegou ao amor e ŕ gratidăo. Estou imensamente grata por estes oito anos que partilhei convosco, em que AA fez parte integrante da minha vida, e eu da vida de AA.
Disse no início que queria transmitir-vos o meu sentimento, mas parece que por mais que eu diga năo consigo expressar a dimensăo desse sentimento. Resta-me esperar que vocęs percebam, porque se identificam comigo nesta riqueza que AA traz às nossas vidas.
Năo vos digo adeus, digo-vos até um dia destes, numa convençăo, numa reuniăo de IP para a qual façam o favor de me convidar, numa reuniăo aberta onde eu vá matar as minhas saudades, por aí.
Um abraço, com amor,
Sónia Oliveira *
* Custódio Classe A (Năo alcoólico)
Lic. em Psicologia Clínica
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Revista N.º 45
( 16 Artigos )
Revista N.º 45

Nota de abertura
Ontem à noite năo conseguia dormir. Estava preocupado com algo que precisava fazer hoje e que tinha que sair perfeito para que os outros pudessem aplaudir.
Vieram-me à memória outras noites, do passado, em que também năo conseguia adormecer enquanto năo encontrasse uma forma que me garantisse beber o primeiro copo no dia seguinte, bem como resolver problemas que iam aumentando de dia para dia e que eu, sozinho, já năo sabia como os resolver.
Isto fez-me voltar ao presente. Lembrei-me que hoje já năo estou sozinho e entăo, pedi ao meu Deus que me ajudasse: que me ajudasse a adormecer e a fazer o que tinha de fazer, no entanto, com perfeiçăo. Năo resultou.
Entăo pensei na minha recuperaçăo, nos 12 Passos do Programa de Alcoólicos Anónimos e, ao chegar ao 7º Passo ("Humildemente Lhe pedimos que nos livrasse das nossas imperfeiçőes"), parei e adormeci.
Hoje, depois de acordar, fui fazer o que tinha para fazer mas, já com outra forma de ver as coisas: năo tinha que ser perfeito, bastaria fazer as coisas da melhor maneira que sei e com a ajuda de Deus, como eu O concebo.
Se calhar, de um modo perfeito nunca o iria fazer e assim, dando o melhor de mim e com a ajuda de Deus, acabei por fazer esta nota de abertura.
Antigamente, para mim, ser humilde era baixar a cabeça quando me sentia inferiorizado em relaçăo a algo ou alguém. Porém, acabava sempre por exibir a minha arrogância ao tentar mostrar aos outros que a minha maneira de estar e de pensar é que estavam certas.
Hoje, para mim, Humildade significa saber estar no meu lugar, dar atençăo aos outros mas tendo o cuidado, principalmente, de tentar "viver e deixar viver".
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Revista N.º 46
( 20 Artigos )
Revista N. 46

Nota de abertura
Ao longo das páginas desta ediçăo da nossa Revista "Partilhar", encontramos testemunhos e partilhas sobre essa bençăo que nos foi devolvida, através da sobriedade, que encontrámos na prática do Programa de Alcoólicos Anónimos: o amor e a capacidade de o manifestar.
Săo páginas vivas e vividas sobre um sentimento bom que tantos e tantos de nós perdemos, por demasiado tempo, e que hoje agradecemos, em cada dia.
É nessa gratidăo que se expressa o propósito primordial de Alcoólicos Anónimos: o propósito de levar a mensagem de recuperaçăo que escolhemos e que connosco resultou, junto do doente alcoólico que ainda vive em sofrimento.
Transmitir a um alcoólico que sofre ainda as agruras da dependência do próximo copo - que jamais será o último enquanto năo decidir parar de beber - o bem-estar e a alegria proporcionados pela sobriedade reencontrada, sendo um acto vital de amor, é, também, uma manifestaçăo de amor pelos seres humanos em que nos tornámos: honestos, responsáveis e integrados na sociedade, em harmonia com os que nos rodeiam, vivendo de um modo inteiramente novo.
Este, é um caminho para a vida: dar amorosamente, sem condiçőes, tudo aquilo que nos foi dado. Estamos convictos, pela experiência adquirida ao longo de tantos decénios de existência de Alcoólicos Anónimos e também pela de cada um de nós, que năo haverá caminho mais gratificante que este.
O Editor
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