Revista N.º 42

Revista N.º 42

Nota de Abertura

Săo 10h30m de Domingo no Escritório de Serviços Gerais.

Mais uma reuniăo de serviço de uma das Comissőes está a começar. Uma agenda pouco extensa (3 pontos), pressupőe uma reuniăo fácil e de curta duraçăo.

No entanto, um dos pontos da agenda, reveste-se de grande sensibilidade.

Năo se trata de uma questăo de trato frequente. O assunto que envolve, é algo em que nos estamos a iniciar agora e por conseguinte ainda năo temos experiência.

Por vezes, quando se tem de lidar com algo que se conhece menos bem ou com algo que envolve uma abordagem mais cuidada, a insegurança ou até mesmo o cuidado mais elevado que se utiliza, torna a discussăo dos assuntos mais acesa.

Foi o que, a meu ver, se passou hoje quando a páginas tantas, o tom da discussăo se elevou ou até se desviou do seu ponto fulcral para assuntos colaterais que carecem e merecem uma útil abordagem mas noutra altura e com outras pessoas.

Parte desta reuniăo năo decorreu, portanto, num ambiente dos mais agradáveis que tenho presenciado, o que deixou nos presentes uma sensaçăo de desconforto muito pouco habitual nos ambientes de AA.

Lá por alturas do meio da reuniăo, ouvimos a chave a rodar na porta da rua e por ela entrou um companheiro nosso que vinha, como habitualmente, para o seu período no atendimento telefónico.

Saudámo-nos, e lá foi ele para o local onde se encontra o telefone, provavelmente ouvir e encaminhar as mensagens deixadas no gravador ou tomar nota das chamadas năo atendidas. Năo voltei a dar conta dele.

A Reuniăo da Comissăo prosseguiu o seu curso de acordo com a agenda e algumas vezes no tom que acabei de descrever algumas linhas atrás.

Săo 12h50m de Domingo no Escritório de Serviços Gerais.

A discussăo dos pontos constantes da agenda chegou ao fim. O coordenador desta Comissăo propôs que a mesma fosse encerrada com a "Oraçăo da Serenidade".

Os preparativos para o encerramento da reuniăo, com os Companheiros a disporem-se à volta da mesa para darem as măos como habitualmente fazemos quando nos preparamos para fechar as reuniőes, năo passaram despercebidos ao companheiro do atendimento, que se levantou de um salto e veio literalmente a correr de sorriso francamente aberto participar no encerramento desta reuniăo.

O sorriso franco e leal voltou aos rostos de todos, os abraços finais foram efusivos como habitualmente.

O ambiente, como por magia, mudou.

Alcoólicos Anónimos é isto também: sempre que a nossa "linguagem do coraçăo" é utilizada, todos os factores que nos podem desunir ou fragilizar passam imediatamente para um plano de grande irrelevância, porque nós sabemos que temos algo que nos une, porque nós sentimos essa uniăo, porque nós queremos que essa uniăo prevaleça.

Alcoólicos Anónimos tem magia, asseguro-vos!

 

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